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chuvisco


novo brogue

pra quem rsseia, vai pra lá: http://minhasferias.wordpress.com

Escrito por camila k às 19h47
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Há muitos e muitos tempos, num lugar muito distante daqui, num dia 21 de dezembro, uma bonita manhã de colocar camiseta cor-de-rosa, uma menina se aprontava para sair de casa. Ela não sabia, mas o começo de uma revolução, que já havia se prenunciado em pequenas sincronicidades de salas de vestibular e possibilidades perdidas e rosas e casa das e iggy pops e must be devils, estava para acontecer. Turning point, a reviravolta dentro da reviravolta dentro da história, o clímax do conto, tudo estava ali, pulsando naquela manhã de dezembro ensolarada e diferente de todas as outras.
Um café, um amigo, uma tensão dita e redita. Nervosismo, muito nervosismo. A menina nem sabia que podia engolir tanto ar para não respirar por dias depois daquilo. Um café, outro café. Ela fala. Ele fala. Nós falamos palavras bobas, você sabe, de quem não sabe que pouco importa o dito diante da constatação do óbvio: estavam os amigos apaixonados.
A tensão só aumentava o desconforto do algo presente que tem de acontecer basta um passo. Basta um passo, basta um movimento, basta um beijo. Ali, naquele café, naquela manhã, os amigos deixaram de ser amigos. Um beijo e a história começou em avalanche. Engraçado que a menina se lembra como se fosse ontem, como se fosse agora, a sensação das mãos dadas, do abraço tímido, da vontade de continuar.
Depois daquele movimento, tudo mudou. Nunca antes os amigos tinham se tocado, haviam trocado mais do que abraços carinhosos, olhares cúmplices pelo retrovisor, desejos secretos e palavras, muitas palavras. Mas as palavras construíram a história que já existia em massa quente de sangue e hormônios e baba e tesão dentro dos dois. A história que estava escrita em mil filosofias e no destino dos gregos. As palavras organizaram o sentido, soletraram as sensações e preencheram o espaço do não dito. As palavras disseram o amor, a vontade, o carinho, o desejo. O beijo fez as palavras ganharem vida e escreverem as primeiras linhas do romance. As palavras se apresentaram em ondas, rolaram montanha abaixo e foram se enfileirando:
Café, cor-de-rosa, eat me, manhã, quarta-feira, sol, mãos dadas, amor, mistura, futuro, figo, bojangles, chá de laranja, quinta-feira, aquário, medo, céu estrelado no teto, mágica, drive in, pernas e ombros, olhos em silêncio, sonho, telefonemas, emails, zumbis no sofá, blog, reveillon, cunha, trindade, fondue, tinta guache e maquiagem, abraço apertado, tv na cama, colo, calor, planos, las vegas, barcelona, padaria de domingo, feira, pratos especiais, sonhos especiais, óleo johnson, egito brega, she wants revenge, youyouyou, if i lay here, dream a little dream, petito, et vull, amo +, desastrinha, teste de gravidez, show, arco-íris duplo no céu, barrigão, ultrassom, barulhinho do coração, chutes, mistura, gael, banho e fralda e pais novos, cama barulhenta, encaixe perfeito...

Hoje a menina veste rosa e tem saudade. Quer voltar logo pra beijar o amigo que virou o homem da sua vida, montar o aquário gigante na sala (pra lembrar sempre do primeiro aquário), começar um novo ano e juntar mais palavras e sensações boas ao romance.


Escrito por camila k às 15h16
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uma fotinho



Escrito por camila k às 07h49
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conclusinha inútil

o ano tem tantos dias do amigo quanto tem aniversários do carrefour. ou seja, pelo menos 12.


Escrito por camila k às 17h58
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e não é que ela confessou que jogava migalhinhas pelo caminho pra ver se o passarinho seguia? se não fosse passarinho, que fosse outro bicho. bicho agourento não segue migalhinhas bem pequenas, só carcaças grandes, refestelava-se em pensares. e seguia jogando migalhinhas pelo minúsculo furinho, de furículo mesmo, que tinha feito no bolso. disse ela que jogava as migalhas escondida, pra não ser flagrada pela grande torre de vento que nada vê e pouco sabe. mas isso a torre saberia, ela tinha certeza. e torres de vento espalham tudo, vocês sabem.
reza que toda noite esmigalhava migalhinhas de tudo que pode migalhar: pão quente e doce caramelado, cera de vela e cola branca, galhos secos e sonhos e açúcar cristal. jogava tudo dentro, sujeirinha de fundo de bolso e ia soltando pelo furículo.
um dia foi seguida. não deu tempo de ver. esfarelou-se antes.



Escrito por camila k às 16h47
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hj eu descobri que uma nuvem branca bem cheia pesa aproximadamente a mesma coisa que duas baleias azuis.

estou contente com a poesia da física. tenho dito.

PS: se manada continua sendo um cardume de elefantes, o coletivo de baleias-azuis-nuvens-brancas é?

Escrito por camila k às 17h18
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Alejandra Pizarnik

ella se desnuda en el paraíso
de su memoria
ella desconoce el feroz destino
de sus visiones
ella tiene miedo de no saber nombrar
lo que no existe

eu clico em texto completo e aparece mais uma porção deles: http://sololiteratura.com/php/autor.php?id=24&seccion=201

(ñão, não dá pra editar links bonitinhos daqui)


Escrito por camila k às 07h31
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texto inútil

Marina Lemos é filha de Claudenor Lemos e Maria Amélia Gomes Lemos. Marina tem 22 anos, faz facultade de Publicidade e Propaganda e trabalha na área administrativa de uma empresa de logística e expedição. Marina Lemos fez técnico em secretariado e inglês no CNA. Marina tem um namorado, o Rodolfo, mas cai de amores pelo vendedor de "doces" da rua, o Jacaré. Marina sabe que Jacaré não dá futuro, mas gosta das covinhas dele desde que ele era o menino magrinho e meio esquisito que mudou pra rua, isso já faz mais de dez anos. Jacaré nasceu pra bandido, comenta dona Maria Amélia, mãe de Marina. O argumento da senhora ainda se baseia no incidente do gato de dona Dinorá, o Rajadinho. Não se sabe muito bem, mas toda a rua tem certeza de que o Jacaré foi o responsável pelas bombinhas de mil que acabaram por matar o gato, não sem dor. Não, o gato também não era inocente, pois havia matado o canário de seu Anselmo, pai de Jacaré, de ataque cardíaco. Não se sabe bem o que conversaram, mas o canário não resistiu à retórica crudelíssima do gato e se fué.
Mas nada disso importa muito agora. O conhecimento de almanaque só aparece aqui com uma razão: explicar que por causa do canário, do gato e de Jacaré, Marina Lemos morrerá de hemorragia craniana amanhã, 27 de junho, às 14h52. A última imagem que passará pela mente de Marina será a de um menino estranho amarrando bombinhas de mil a uma nuvem amarela.

Escrito por camila k às 07h45
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o inferno é:

Estar na estrada, num carro sem vidro elétrico, e tentar fechar rapidamente a janela porque vai passar por um caminhão fumacento, sem nunca conseguir.
É ficar girando eternamente a maçaneta e sempre levar a baforada quente na cara.

Escrito por camila k às 07h42
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Caballero Solo - Pablo Neruda

Los jóvenes homosexuales y las muchachas amorosas,
y las largas viudas que sufren el delirante insomnio,
y las jóvenes señoras preñadas hace treinta horas,
y los roncos gatos que cruzan mi jardín en tinieblas,
como un collar de palpitantes ostras sexuales
rodean mi residencia solitaria,
como enemigos establecidos contra mi alma,
como conspiradores en traje de dormitorio
que cambiaran largos besos espesos por consigna.

El radiante verano conduce a los enamorados
en uniformes regimientos melancólicos,
hechos de gordas y flacas y alegres y tristes parejas:
bajo los elegantes cocoteros, junto al océano y la luna,
hay una continua vida de pantalones y polleras,
un rumor de medias de seda acariciadas,
y senos femeninos que brillan como ojos.

El pequeño empleado, después de mucho,
después del tedio semanal, y las novelas leídas de noche en cama,
ha definitivamente seducido a su vecina,
y la lleva a los miserables cinematógrafos
donde los héroes son potros o príncipes apasionados,
y acaricia sus piernas llenas de dulce vello
con sus ardientes y húmedas manos que huelen a cigarrillo.

Los atardeceres del seductor y las noches de los esposos
se unen como dos sábanas sepultándome,
y las horas después del almuerzo en que los jóvenes estudiantes
y las jóvenes estudiantes, y los sacerdotes se masturban,
y los animales fornican directamente,
y las abejas huelen a sangre, y las moscas zumban coléricas,
y los primos juegan extrañamente con sus primas,
y los médicos miran con furia al marido de la joven paciente,
y las horas de la mañana en que el profesor, como por descuido,
cumple con su deber conyugal y desayuna,
y más aún, los adúlteros, que se aman con verdadero amor
sobre los lechos altos y largos como embarcaciones:
seguramente, eternamente me rodea
este gran bosque respiratorio y enredado
con grandes flores como bocas y dentaduras
y negras raíces en forma de uñas y zapatos.

Escrito por camila k às 08h10
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era pra eu ter chegado em casa e começado a revisar uma aula on-line de psicologia de uma universidade particular.
era pra eu ter chegado em casa, colocado os pés pra cima e pensado sobre a sessão de terapia, a semana, os velhos e novos planos de dominação mundial.
era pra eu ter chegado em casa e tirado um cochilo
era pra eu ter chegado em casa e tomado um banho longo
era pra eu ter chegado em casa e inventado um jantar, um ímã de geladeira, uma maneira de combater a fome no mundo, o novo post-it

no entanto, exatos cinco meses depois (não sei por que), me deu vontade de passar por aqui, mudar a cara da coisa e escrever qualquer bobagem.

voltas às vezes são assim, como a de odisseu, vestido de mendigo e super-secreto. hj não teve banda na praça e nem ninguém veio me buscar na estação. a única pergunta que fica é: será que ainda me sinto em casa?

vejamos...


Escrito por camila k às 17h08
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Novo conceito de presente de 1,99 para aniversário de camila: Mixtape.



Escrito por camila k às 17h28
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Goodnight lover

Porque ouvi esses dias uma vez, duas, três, dez, até cantar junto. Bem gostei. Também porque tem alguém que eu conheço que gosta muito dessa banda.


Here, somewhere in the heart of me
There is still a part of me
That cares

And ill, Ill still take the best youve got
Even though Im sure its not
The best for me

When youre born a lover
Youre born to suffer
Like all soul sisters
And soul brothers

I, I can see the danger signs
They only help to underline
Your beauty

Im not looking for an easy ride
True happiness cannot be tried
So easily

When youre born a lover
Youre born to suffer
Like all soul sisters
And soul brothers

Like all soul sisters
And soul brothers

You can take your time
Ill be waiting in line
You dont even have to give me
The time of day

When youre born a lover
Youre born to suffer
Like all soul sisters
And soul brothers

Like all soul sisters
And soul brothers

Escrito por camila k às 13h03
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cabralizando no dia 21, quinta

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


Escrito por camila k às 13h25
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todo mundo tem direito a 15 linhas de fama - especial de natal

Dona Júlia Festa sempre pinta alguma parte da casa antes do Natal. Ela mora em Curitiba, numa dessas casas com cara de casa-de-boneca, de madeira, corpo camurça e janelas verde-água. Há cinqüenta anos Dona Júlia mora na mesma casa e as camadas de tinta vão se sobrepondo desde então, contando a história dos natais.
Uma das netas de D. Júlia, Camila, sem querer se pegou pensando esses dias se sua avó estava planejando novas pinturas este ano. A idéia passou pela cabeça de Camila como outras tantas impressões passam pela cabeça de todos, veio e foi. Dona Júlia sempre reclama das pinturas, do trabalho que a casa dá, de como a grama é mal cortada pelos moleques da vizinhança. Reclama de ter 82 e não conseguir mais seguir a rotina zen de tira-mato, apara-cantos, corta-grama, varre-jardim, composta-grama como adubo. Mas Dona Júlia tem prazer em ver tudo bem cuidado, a neta sabe. E vê os olhos azuizinhos da vó brilhando toda vez que mostra a roseira que dá rosas pintadas que “seu pai me deu, quando era vivo, mas continua florindo todo ano, em amarelo e laranja”.
Ontem a mãe de Camila ligou para ela para dizer que pintara o muro da casa da avó. Camurça. Dona Júlia não decepciona.


Escrito por camila k às 14h59
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